quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Não é minha função"

Provavelmente você já deve ter ouvido isso em alguma situação onde, ao solicitar uma ajuda a alguém, ou que alguém faça um serviço, alguém responde: "Isso não é minha função!" ou "Não sou obrigado a fazer isso"...

Pois bem, temos sempre situações e situações, obviamente quando se tem um profissional ocupado, fazendo um serviço que ele domina e tem alto grau de importância e/ou urgência, o bom senso que costuma passar longe de muita gente nos diz para não "atrapalhar" na execussão, como citei no caso onde temos produção constante, contudo, é normal ter situações onde temos alguém sem sobrecarga, que teria habilidade para ajudar na execução de outro serviço que  ajudaria no andamento (mais rápido) do trabalho da empresa, e mesmo assim, existe negação.

Certo ou errado? é desvio de função? é "má vontade"? preguiça? como isso funciona?


Ok. Dentro da lei, está errado. Existem várias jusrisprudências sobre o assunto. PERIOD.

Referências:
Acúmulo ou Desvio de Função podem gerar indenização
Registro pode ser diferente da função exercida?

CLT:
Art. 461 - Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade. (Redação dada pela Lei nº 1.723, de 8.11.1952)

§ 1º - Trabalho de igual valor, para os fins deste Capítulo, será o que for feito com igual produtividade e com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço não for superior a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 1.723, de 8.11.1952)

§ 2º - Os dispositivos deste artigo não prevalecerão quando o empregador tiver pessoal organizado em quadro de carreira, hipótese em que as promoções deverão obedecer aos critérios de antigüidade e merecimento. (Redação dada pela Lei nº 1.723, de 8.11.1952)

§ 3º - No caso do parágrafo anterior, as promoções deverão ser feitas alternadamente por merecimento e por antingüidade, dentro de cada categoria profissional. (Incluído pela Lei nº 1.723, de 8.11.1952)

§ 4º - O trabalhador readaptado em nova função por motivo de deficiência física ou mental atestada pelo órgão competente da Previdência Social não servirá de paradigma para fins de equiparação salarial. (Incluído pela Lei nº 5.798, de 31.8.1972)



Maaaasss, a gente sabe que não é bem assim, não é? Perguntem a todos os contratados como "Auxiliares Administrativos" nesse Brasil, o quantos fazem serviços de auxiliar administrativo, provavelmente metade fará um trabalho diferente, uns 40% nem vai saber sua função na CTPS e uns 10% vai ser realmente "Auxiliar Administrativo". Eu mesmo já fui auxiliar administrativo durante alguns anos, e nesses estive parte do tempo fazendo cobrança/serviços de bancos como motoboy, e parte dando manutenção e treinamento na área de TI.

Mas ok. Está errado.

Isso faz "certa" a pessoa que diz "isso não é minha função" ???

Eu entendo que não!

Pra começar, leis não são estáticas, e nesse ponto, não dou muita "piruada", pois não é minha área de estudo, mas entendo que são feitas para serem sim cumpridas, mas também, moldadas, mudadas e quebradas se a situação permitir, for boa e considerada justa para as partes.

Agora, imagine a seguinte situação: Você, numa entrevista pra um cargo superior ao seu na sua própria empresa, ou em uma empresa fora, e te perguntam: "Você tem alguma experiência com essa função?

...e você responde: "Não, se eu realizasse serviços desse cargo, estaria quebrando a lei e enquadraria a empresa em um processo de desvio de função!"

PORRA, MAURÌCIO!
PORRA, LEGISLADOR!
PORRA, VOCÊ!
Assim não dá!

Ninguém cai numa função de para-quedas (ou paraquedas, ou para quedas maldita gramática moderna), ninguém aprende novos serviços, adquire novas atitudes, novas competências como em Matrix: "Operador, eu preciso de um programa de CEO de uma multinacional em tecnologia".

O aprendizado só vem com a experiência, o crescimento no mercado de trabalho ou no plano de funções de uma empresa, só acontece através da "vivenciação" da nova função, por que te contratariam pra fazer o trabalho de gerente se você não o sabe? A empresa vai parar de produzir pra você aprender? ... e não estou falando apenas de conhecimento técnico, é o dito "Know How" mesmo, competências necessárias para que você esteja apto a realizar o que é proposto.

Contudo, infelizmente, as vezes até as próprias empresa "engessam" e travam o funcionário com medo da lei, e muitos que se encontram na linha tênue entre "Injustiçado" e "Cara que não gosta de trabalhar" usam a lei ao seu favor para não desempenhar o que não lhe convém ou pra ganhar uma graninha "justa" nas costas de quem trabalha!

Concordam? Discordam? ou muito pelo contrário?


4 comentários:

Almighty disse...

Muito pelo contrário :P

bonna, generval v. disse...

clap! clap! clap!

Psycrow disse...

Cara, para chegar a dar essa resposta tem que ser em um caso concreto. Não dá para vir falar que se fulano deixou de fazer quando podia é pq ele está atrasando a empresa, ou é vagabundo ou é preguiçoso.

Um exemplo que com certeza você já passou na vida é esse: Você está ali, parado, fazendo o seu serviço normalmente, derrepente por força maior toda a rede de computadores da empresa parou de funcionar.

Não é o seu serviço consertar isso, mas você detêm mais conhecimento da área do que o profissional que seria convocado a consertar. Como você quer que o serviço continue andando, você mesmo vai lá e consertar.

Pronto, sua vida vira um inferno neste momento simplesmente pq descobriram que você sabe fazer mais de 1 coisa e apartir daí você vira o auxiliar administrativo E o técnico de informática da empresa, porém um detalhe importante é que seu salário continuará a mesma porcaria de antes.

Eu, particularmente, me finjo de burro desde então. Cada macaco no seu galho.

cHiPs disse...

Psycrow... concordo e descordo em partes...

A diferença de você saber fazer algo e o fazer para resolver um problema e dar andamento em uma situação, dentro do que você tem conhecimento, tornar sua vida um inferno ou não, depende unica e exclusivamente de você, ou melhor dizendo, do seu poder de barganha.

FATO: se você deixar, a empresa e seu chefe MONTAM em você.

Contudo, tem que ser visualizado que nessas situações você adquire experiência (a mínima que seja), um certo nível de prestígio (nem que seja com a pessoa que você ajudou), e o mais importante ao meu ver: Por você ter mostrado que é capaz, você adquire ou "Capacidade de Negociação" com seu chefe atual, ou adquire "Empregabilidade" no mercado, pois a dura verdade é que: Conhecimento sem certificação no currículo, não vale quase nada, agora indicação de "chefe" pra "chefe" dizendo o que você sabe fazer, vale muito mais do que um diploma qualquer.

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