quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Globaliza...quem?

Já é, há algum tempo, senso comum dizer que estamos num mercado competitivo e globalizado onde as decisões e ações são tomadas muito rapidamente e que todos os envolvidos nos processos têm que fazer alguns sacrifícios para o bom andamento e futuro da organização.

B A L E L A ! !
Na maioria das vezes isso é história, papo furado, invenção de moda, desculpa para que qualquer decisão (seja ela realmente importante ou não) seja tomada às pressas, sem um mínimo de planejamento e sacrificando, realmente, a parte operacional. Qualquer coisa vira desculpa de competitividade, de velocidade das ações.

É claro que não sou tolo o bastante pra afirmar que não estamos nesse tal mundo globalizado. É dar um belo tiro no pé. Realmente decisões devem ser tomadas num período de tempo muito menor do que eram antes. Isso realmente é fato. O problema na verdade é que empresas mal organizadas - e/ou talvez mal dirigidas - usam desse artifício para tomar as decisões sem muito estudo.

Essas decisões precipitadas causam dois grandes males:
O primeiro é que possivelmente todo o trabalho realizado dessa forma terá que ser feito novamente. Gastando muito mais tempo e dinheiro. Quando isso chega acontecer, reza-se para que os gestores parem e analisem as necessidades desse projeto e definam com mais clareza o que deveria ser feito. Mas infelizmente isso às vezes não acontece. Tomam mais decisões corridas e equivocadas, fazendo todo o discurso de custo ir pro ralo. Fazer uma coisa duas vezes nunca sai barato. Gestores que sabem ouvir raramente entram nessa roubada. Gestores que dizem: "Eu mando e vocês obedecem" definitivamente estão pedindo para que seus funcionários façam tudo novamente, da forma mal planejada e o resultado já sabemos: Mais tempo, dinheiro, paciência gasto atoa.

Não sei para vocês, mas não tem nada mais frustrante pra mim do que fazer meu trabalho duas vezes. Uma porque alguém não lhe ouviu e você por ser empregado teve que fazer, e outra porque vai acabar tendo que consertar a coisa mal feita. Prefiro perder um tempo inicial maior e fazer a coisa de uma vez só.

A segunda coisa, muito importante e que deve ser observada: Os executores. Pessoas responsáveis em por em prática a coisa toda.

Esses acabam sofrendo com ações precipitadas e mal planejadas (planejamento aqui que envolve como fazer, tempo, custo, viabilidade, necessidade, etc). Normalmente quem delega as obrigações vai pra casa, tranquilo, junto da família e não se importa com a outra ponta que está trabalhando. Decisões corridas normalmente exigem que se faça o trabalho fora do horário de expediente e com a maior pressa possível, pois no outro dia, toda a empresa precisa estar funcionado na mais perfeita harmonia.

Agora, imagina você colocar um batalhão de pessoas para fazer um serviço que talvez nem devesse ser executado, e no outro dia ou nos próximos dias você informa ao camarada que ele deverá fazer parte do trabalho todo novamente porque alguém disse que 'era melhor ter feito assim' do que ter analisado as possibilidades?

Como você acha que essas pessoas irão trabalhar? Qual motivação você acha que eles terão para fazer o serviço da melhor forma possível? Acha que não passará na cabeça deles que provavelmente em pouco tempo eles terão que fazer tudo de novo, porque alguém vai perceber que não era pra ficar dessa forma?

Nem preciso dizer que normalmente essas ações raramente rendem algum abono a quem faz. Invariavelmente essas decisões tomadas às pressas são feitas sem que o funcionário receba um obrigado sequer (se obrigado você não recebe, hora-extra então, nem pensar).

Aproveitando um post do "Psycrow The Lawyer", digo que se o funcionário tiver algum compromisso a ser cumprido naquele período, seguramente ele será taxado de mau funcionário. Não importa se a decisão for tomada às 17hs55min e o funcionário sai às 18hs. O funcionário nesse momento entrara para o Hall de Funcionários que não dão o sangue pela empresa. Independente das quantidades de vezes que ele ficou antes.

Para terminar, a grande maioria das empresas que usam do artifício 'globalização' não são grandes o suficientes para sofrer isso. Ou se são, não fazem a menor ideia do que significa, mas provavelmente assistiu a alguma palestra sobre o tema e ficou maravilhado.

O tema desse post tem mais a ver com o Chips e a Miss Baleia, mas me aventurei a escrever.

2 comentários:

Fillipe disse...

Isso mostra como a maioria dos empreendedores são burros. Como o Vader disse, é mais barato planejar pra fazer de uma vez só do que ficar na tentativa, pra ver se acerta em algum momento, gastando tempo e dinheiro.

"Time is money!"
Super Sam

cHiPs disse...

Preciso concordar que pra maioria das empresas "globalização" não é nada mais do que uma desculpa para tomar decisões administrativas/comerciais "nas coxas" em proporção tão grande quanto as empresas que tem parque tecnológico mal estruturado usam "informatica é assim mesmo" como desculpa para os erros gerados pelo TI.

A não ser que você realmente trabalhe numa bolsa de valores, onde decisões urgentes custam dinheiro de imediato, essa história de tomar decisões as pressas é uma incompetência de difícil de mensurar, primeiro por que muitos "gestores" preferem "jogar pra ver se cola" do que planejar pra ter certeza, e segundo por que o prejuízo gerado pelo custo de uma decisão mal tomada não é tão simples de se calcular e muito menos de se notar no dia-a-dia... apesar de ser evidente (teoricamente) a sua existência...

Sabe aquela história de "por isso o Brasil não vai pra frente"?!??! Pois é! E infelizmente não é por falta de preparo em grande parte das vezes... qualquer cabeçudo que faz um cursinho de gestão sai sabendo as 5 funções da administração (que é o que o gestor faz... ou não...) descritas na teoria clássica da administração por Fayol (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jules_Henri_Fayol) a mais de 1 século atrás:

- Planejar (Olha ela aqui... primeirona heim?!?!?!!)
- Organizar
- Comandar
- Coordenar
- Controlar

No final das contas... é tudo preguiça! É mais fácil pular a parte de planejar e organizar e simplesmente mandar, corrigir alguma coisa durante a execução (que já gera re-trabalho) e depois ver se deu certo ou tem que mandar fazer de novo...

Afinal...

Curso de gestão - R$2000,00
Livro de Teoria Geral da Administração - R$50,00
Para todas as outras coisas existe a "tentativa e erro"...

Postar um comentário

Deixe seus comentários / críticas / elogios.

OBS: Os comentários dos leitores não refletem as opiniões do blog.